Orquestra USP-Filarmônica


A USP-FILARMÔNICA funciona como organismo sinfônico integrado de ensino, pesquisa e extensão universitária sediada no Departamento de Música da FFCLRP-USP, cujas atividades se iniciaram em março de 2011. A USP-Filarmônica foi fundada pelo Prof. Rubens R. Ricciardi (diretor artístico) e pelo maestro José Gustavo Julião de Camargo (diretor artístico assistente), com apoio administrativo do funcionário Waldyr José Gomes Fervença e tendo contado ainda com as providências decisivas da então chefe do Departamento de Música da FFCLRP-USP, a Profa. Silvia Maria Pires Cabrera Berg. O concerto de estreia da USP-Filarmônica ocorreu a 23 de maio de 2011, no Theatro Pedro II de Ribeirão Preto, e, desde então, foram já 43 programas de concertos sinfônicos e récitas de ópera nas cidades de Ribeirão Preto, São Carlos, Franca, Jaboticabal, Barrinha, Ourinhos, Avaré e Santos.

A USP-Filarmônica vem contando até aqui com 30 bolsas concedidas pela Reitoria de USP (Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária & Pró-Reitoria de Graduação) e vigentes desde março de 2011. Para 2015 estamos solicitando um acréscimo de mais (10) dez bolsas para a Pró-Reitoria de Graduação (num total a partir de 2015 de 25 bolsas solicitadas junto à Pró-Reitoria de Graduação), para atender à necessidade de integrar cantores eviabilizar o Coral daUSP-Filarmônica, com as seguintes justificativas:

• Execução de obras pertencentes ao período colonial luso-brasileiro, cujo repertório é em sua grande maioria coral-sinfônico, objeto importante de pesquisa do Núcleo de Pesquisa em Ciências da Performance Música (NAP/CIPEM) da FFCLRP-USP, obras que estão sendo disponibilizadas no novo Serviço de Edição e Difusão de Partituras do próprio NAP-CIPEM. Ou seja, incrementar ainda mais as interfaces das pesquisas histórico-musicológicas com a USP-Filarmônica.

• Atender à demanda dos alunos do Curso de Bacharelado em Canto Lírico, que pleiteiam iguais oportunidades quanto ao desenvolvimento acadêmico e performático, proporcionado pela participação como cantores e monitores em um corpo orquestral.

• Os bolsistas de canto também serão os monitores do Coral da USP-Filarmônica, na medida em que o Coro será composto por bolsistas e voluntários. A perspectiva é de que o Coral da USP-Filarmônica venha a ter entre 20 e 30 cantores, uma vez que se abre a possibilidade para alunos da USP e demais interessados se agregarem ao projeto, consolidadas as 10 (dez) bolsas para viabilizar a participação de alunos cantores com maior desempenho (aprovados em testes) que atuarão como monitores.

• A USP-Filarmônica entende que é de fundamental importância desenvolver projetos operísticos apresentando récitas de óperas (como já correu em 2012 e 2013, com todo sucesso), e, desta forma, faz parte do projeto aqui apresentado a encenação de récitas em novembro de 2015, em Ribeirão Preto e em São Carlos, com a participação do Coral da USP-Filarmônica e seus bolsistas, dada a fortíssima carga horária de ensaios não só musicais como de cena necessários para a viabilização destas atividades.


Organograma


A USP-FILARMÔNICA conta em seus quadros com um maestro titular e professor responsável (Prof. Dr. Rubens Russomanno Ricciardi / MS-6 em RDIDP) e com um maestro assistente (José Gustavo Julião de Camargo / Orientador de Estruturação Musical Superior 4).

Já a equipe de a poio da USP-Filarmônica vem se configurando com sucesso pelo trabalho dos próprios funcionários do DM-FFCLRP-USP.

São as seguintes funções de alunos/músicos (preenchidas de acordo com o potencial dos alunos da USP, uma vez que estes serão sempre admitidos mediante testes e audições com banca especialmente designada, como já ocorreu em março de 2011, 2012, 2013 e 2014):

• flautas/flautim;
• oboés;
• corne-inglês;
• clarinetas;
• saxofones;
• fagotes;
• trompas;
• trompetes;
• trombones e trombone baixo;
• tuba;
• timpanista e demais percussionistas;
• teclados, tais como piano, celesta, cravo e órgão;
• harpa;
• primeiros e segundos violinos;
• violas;
• violoncelos;
• contrabaixos;
• cantores/monitores do Coral da USP-Filarmônica;
• arquivista.

Com a solicitação das bolsas junto à Pró-Reitoria de Graduação da USP (25) e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP (15), para o ano de 2015 num total geral de 40 bolsas para alunos de graduação, novos testes para todos os alunos candidatos a músicos da USP-Filarmônica (incluindo-se os atuais bolsistas) serão realizados no dia 23 de março de 2015, caso o projeto seja aprovado.


Objetivos


São objetivos da USP-FILARMÔNICA:

• estabelecer e consolidar uma orquestra sinfônica da FFCLRP-USP do mais alto nível técnico-artístico com autonomia acadêmico-artística no Campus da USP de Ribeirão Preto enquanto polo gerador de concertos sinfônicos e em especial récitas de óperas para o bom desenvolvimento social e cultural de Ribeirão Preto e região;

• realização de atividades sinfônicas integradas de ensino, pesquisa e extensão universitária;

• realização de atividades sinfônicas integradas nas três grandes áreas da música: composição musical, interpretação/execução e pesquisa musical;

• colaborar para com o bom desenvolvimento das práticas interpretativas do DM-FFCLRP-USP (flauta, oboé, clarineta, saxofone, fagote, trompa, trompete, trombone, tuba, percussão, harpa, piano, violão, viola caipira, violino, viola, violoncelo e contrabaixo, entre outros possíveis instrumentos);

• instigar a atuação de professores, alunos e funcionários da USP não só como músicos da orquestra, mas também como compositor, solista e/ou regente;

• colaborar para com o bom desenvolvimento do Curso de Bacharelado em Canto e Ópera do DM-FFCLRP-USP;

• colaborar e interagir de todas as formas para com o bom desenvolvimento das novas modalidades acadêmicas (em projeto), tais como o futuro Bacharelado em Composição, com a execução prioritária em seu repertório de obras de compositores locais, quer sejam professores, alunos ou funcionários, bem como colaborando com as atividades musicológicas, com a execução prioritária de obras relacionadas às pesquisas aqui realizadas tanto em nível de graduação como de pós-graduação, tanto em processos editoriais de partituras, como envolvendo ainda pesquisas em teoria, estética e/ou história da música;

• encomendar obras (coral-)sinfônicas e/ou óperas inéditas, instigando assim uma constante renovação do repertório;

• fomentar pesquisas e recuperações histórico-musicológicas envolvendo a produção musical no Brasil desde os tempos coloniais até a música contemporânea do século XXI;

• interagir em seu repertório com os corais do DM-FFCLRP-USP (Madrigal ADEMUS e Oficina Experimental da Voz), bem como com os demais corais da cidade e da região, universitários (como vem se consolidando com sucesso a parceria com os corais da UNESP de Franca e Jaboticabal) ou não, desde que contemplados os objetivos afins e uma filosofia de trabalho confluente;

• interagir com os organismos do DM-FFCLRP-USP, como as oficinas de Voz, Violão, Piano, Música de Câmara e Percussão (Grupuri), o NAP-CIPEM (Núcleo de Pesquisa em Ciências da Performance) e o LAMUS (Laboratório de Musicologia);

• interagir com o Ensemble Mentemanuque (fundado em 1993), voltado à música de câmara, que vem sendo formado por docentes e solistas convidados, bem como pelos principais solistas da USP-FILARMÔNICA, compartilhando-se da mesma direção artística e filosofia de trabalho;

• interagir com o futuro Projeto “Música-Criança” (escola de música para crianças de alto desempenho técnico-artístico em processo de criação e instalação, numa plena integração do ensino com a pesquisa e as atividades de extensão universitária);

• no Brasil, desde os tempos coloniais, a arte da música sempre foi importante instrumento de ascensão social. Muitos entre os primeiros negros e pardos forros (em especial a partir do século XVIII) foram músicos, pois viabilizaram a compra de sua liberdade em processos de coartação através de ganhos recebidos da atividade musical. Ainda hoje, a maioria dos músicos profissionais é proveniente das camadas mais pobres da população brasileira. Assim, um dos objetivos da USP-FILARMÔNICA é promover o bom desenvolvimento social, viabilizando-se que alunos com baixo poder aquisitivo possam exercer sua formação profissional com dignidade e melhorar suas condições de vida, bem como de sua comunidade;

• com o estabelecimento da USP-FILARMÔNICA, soma-se também o importante objetivo de tornar mais atraente o Curso de Música da FFCLRP-USP a candidatos via Vestibular pela FUVEST de todo o Brasil. Tendo-se em vista as atividades acadêmicas complementares justamente na formação em nível de graduação em música com atividades práticas de orquestra e coral com bolsa, poderemos elevar qualitativamente o nível e quantitativamente o número de novos candidatos. Contribui-se assim, decisivamente, para a consolidação do DM-FFCLRP-USP enquanto escola superior de excelência.


Justificativa


A existência de orquestras sinfônicas no DM-FFCLRP-USP, como é o caso da USP-Filarmônica, é conditio sinequa non para a construção de um curso superior de música de qualidade e representatividade, tendo-se em vista o Projeto Político Pedagógico departamental que contempla a performance como atividade prioritária por meio dos bacharelados em Canto e em Instrumento. Ou seja, toda faculdade de música séria e formadora de profissionais com posterior bom potencial de trabalho, e isto em qualquer parte do mundo, possui impreterivelmente uma orquestra sinfônica completa entre seus organismos, justamente para o bom aprimoramento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, num cruzamento e numa fusão de horizontes das três principais áreas da música (composição, interpretação/execução e pesquisa).

Fundado em 2002, o Curso de Música pela USP no Campus de Ribeirão Preto contribui dentro e fora da USP com dezenas de eventos musicais com ensembles próprios (orquestra de câmara de alunos, corais),como o Concerto Comemorativo aos 75 anos da USP no Campus de São Carlos, e também em projetos conjuntos com a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, como foi o recente caso da intensa programação sinfônica no Campus da USP de Ribeirão Preto pelo projeto “Caminhos da Cultura”, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.

Em 2012, já pertencendo à FFCLRP-USP, destaca-se a presença da USP-Filarmônica na grande comemoração dos 60 anos da FMRP-USP, bem como, em 2014, será parte essencial das comemorações dos 50 anos da FFCLRP-USP. No entanto, o atual momento de maior maturidade exige já um próximo passo decisivo e mesmo imprescindível em que uma orquestra sinfônica própria, como é o caso da USP-FILARMÔNICA, garanta uma autonomia para a realização dos mais diversos projetos.

Em especial, pensamos naqueles de maior ousadia e inovação, agora já pertencendo ao DM-FFCLRP-USP (desde dezembro de 2010).Em termos de comparação, o que fizemos até aqui se assemelha ao início das atividades da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, que no início dos anos 50 do século passado utilizava como hospital universitário a Santa Casa de Misericórdia local (situada na Rua Minas). No entanto, poucos anos após, criou-se e instalou-se o Hospital das Clínicas da FMRP-USP, justamente para atender as reais necessidades de realização acadêmica em ensino, pesquisa e prestação de serviços médicos à comunidade.

Portanto, a existência de corpos sinfônicos estáveis e de ponta como a USP-FILARMÔNICA representa tanto para o DM-FFCLRP-USP quanto o HC representa para a FMRP-USP.


Filosofia e métodos de trabalho


Estas são teses referentes à filosofia de trabalho da USP-FILARMÔNICA, somadas ao projeto de seu modus operandi, ou seja, uma concepção sempre crítica atrelada a uma dinâmica de trabalho em desenvolvimento constante:

• a USP-FILARMÔNICAé uma orquestra sinfônica da USP formada por alunos bolsistas, sediada na FFCLRP-USP e atrelada de corpo e alma às atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária, priorizando as relações da arte com o conhecimento produzido pela universidade ou em parceria com entidades afins;

• é conditio sinequa non que a USP-FILARMÔNICA seja entendida enquanto orquestra universitária no Campus da USP de Ribeirão Preto a instigar sempre já o espírito de inovação, quer seja através de recuperações histórico-musicológicas bem como promovendo produções e realizações do aqui e agora, incentivando diretamente a composição contemporânea;

• a USP-FILARMÔNICA gravará com áudio e vídeo e demais formas de fonogramas divulgando prioritariamente a produção brasileira sinfônica e operística, bem como atuando em produções de dança ou ballet, na forma de CD, DVD ou postagens na internet;

• a USP-FILARMÔNICA estará sempre aberta a incorporar novos recursos instrumentais ou tecnológicos a serviço da linguagem musical;

• a USP-FILARMÔNICA contará sempre em seu repertório com pelo menos uma obra contemporânea em cada concerto;

• a USP-FILARMÔNICA contará sempre em ser repertório com pelo menos uma obra brasileira em cada concerto;

• a USP-FILARMÔNICA ensaiará duas vezes por semana, e, próximo a concertos, três vezes, com duração de três horas em cada ensaio, com vinte minutos de intervalo;

• as condições gerais para a atuação dos alunos bolsistas na USP-Filarmônica serão sempre indicadas por ocasião do edital de convocação para os testes (fevereiro/março) de cada ano (em anexo ao final, exemplo de esboço de modelo para o próximo edital 2014, modelo já aperfeiçoado dos editais 2011, 2012, 2013 e 2014);

• a USP-FILARMÔNICA apresentará concertos regularmente;

• em caso de apresentação de ópera haverá um planejamento diferenciado de ensaios bem como para sua produção;

• a USP-FILARMÔNICA, além de seu maestro titular e seu maestro assistente, será regida também por outros maestros convidados da USP, bem como ainda por outros maestros convidados de renome internacional, entre brasileiros e estrangeiros, justamente para se atingir o mais alto desempenho técnico-artístico, viabilizando-se ainda um clima de constante incentivo e estímulo sempre renovado para os músicos-alunos, oxigenando as relações pessoais e proporcionando à orquestra uma sonoridade sempre renovada, bem como gerando rica diversidade de concepções interpretativo-performáticas;

• a USP-FILARMÔNICA contará com músicos visitantes, incluindo-se maestros e solistas, bem como encomendará obras inéditas a compositores brasileiros ou de outros países, também enquanto realização de parcerias e convênios com outras universidades do Brasil e do exterior;

• a USP-FILARMÔNICA tem como objetivo para seus ensaios e apresentações a construção da USP-Ópera, no Campus da USP de Ribeirão Preto, mas não deixará de desenvolver uma atividade regular de concertos e/ou montagens de óperas também nos demais palcos da cidade e região, como o Theatro Pedro II, o Teatro Municipal de São Carlos, o Auditório da FDRP-USP, a Sala de Concertos da Tulha, a Capela (Espaço Cultural) do Campus da USP, o Teatro Municipal e o Teatro de Arena em Ribeirão Preto, o Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas no IFSC-USP, entre outros, bem como a possibilidade de apresentações em outras cidades paulistas e brasileiras, e, num futuro próximo quem sabe também no exterior, enquanto organismo sinfônico que possa representar dignamente a USP;

• a USP-FILARMÔNICA continuará a ensaiar na Sala de Concertos da Tulha (em 2015, por conta da reforma, os ensaios ocorrerão no Bloco 34);

• a atuação de USP-FILARMÔNICA - enquanto orquestra imbuída no espírito da universidade pública -distancia-se do esnobismo (entendido aqui na acepção de Mário Vieira de Carvalho)e se difere de toda forma conservadora tanto quanto estagnada ou repetitiva de se promover o repertório já consagrado, quer seja através dos modelos estancados conservatoriais ou dos padrões esteticamente redutivos da indústria da cultura (tal como definida por Adorno e Horkheimer);

• no entanto, se resguardada a liberdade da composição musical e seu potencial de singularidade, a USP-FILARMÔNICA poderá atuar em projetos cinematográficos, já que este universo musical paralelo, justamente da música para cinema, representa parte importante da produção musical desde o século XX;

• entendida a universidade enquanto entidade a preservar e defender a liberdade inventiva dos compositores, superando-se os limites redutivos e as precárias linguagens musicais promovidas pelos padrões medianos da indústria da cultura (excetuando-se, portanto, a possibilidade de singularidade através da música para cinema e demais interfaces em produções audiovisuais quando relevantes), a USP-FILARMÔNICA deve por bem sempre já viabilizar a atividade musical enquanto arte em sua origem e essência, combatendo assim, por um lado, o processo de desartização (conceito este também de Adorno) da música, bem como, por outro, permanecendo atrelada à concepção primordial de Aristóxeno, de que “a música é ao mesmo tempo forma de pesquisa e conhecimento enquanto ciência (episteme), bem como se trata de uma arte (techne) através de toda possibilidade de inovação e experimento”;

• a USP-FILARMÔNICA, uma vez que se encontrará livre de qualquer necessidade comercial imediatista, pretende se consolidar enquanto organismo musical alternativo aos padrões medianos tanto quanto hegemônicos da indústria da cultura. Assim, pretende permanecer distante dos casos em que o suposto artista, restrito a uma engrenagem de sistema, “torna-se vítima da ilusão que ele mesmo produz, acreditando ser um criador quando, de fato, não passa de um reprodutor de padrões a serviço de fins muito distantes do exercício da liberdade e da inspiração” (Maria Arminda do Nascimento Arruda). Portanto, se a harmonia aparente é sistema e a harmonia inaparente é aletheia, confirma-se a tese de Heráclito: “harmonia inaparente mais forte que a do aparente”;

• a USP-FILARMÔNICA deve ser um centro acadêmico-musical dinâmico sempre já instigando discussões ao mesmo tempo poéticas (no sentido do fazer, produzir, inventar), práticas (no sentido da ação, da interpretação/execução em música) e estéticas (no sentido da percepção tanto sensível quanto teórico-filosófica). Ou seja, envolvendo atividades tanto de composição, interpretação/execução e pesquisa musical, tanto experimentais (da realização) quanto analíticas (da observação), ou ainda prático-teóricas, operativo-especulativas, em que o repertório de seus concertos está estreitamente atrelado à publicação de partituras inéditas bem como de pesquisas musicológicas, sem esquecer as questões relativas às práticas performático-interpretativas envolvendo maestros, instrumentistas e cantores;

• a USP-FILARMÔNICA, inspirada em Brecht, entende que “as verdadeiras obras internacionais são as obras nacionais e que as verdadeiras obras nacionais acolhem em si as tendências e inovações internacionais”. Bem como, inspirada em Gramsci e Simone Weil, a USP-FILARMÔNICA é “cosmopolita por programa e objetivo histórico”, mas sem esquecer “as necessidades essenciais de enraizamento do ser humano”. Assim, por exemplo, a USP-FILARMÔNICA estará programando, num mesmo concerto, como foi o caso em vários concertos de 2011, uma obra sinfônica inédita composta na USP de Ribeirão Preto e tendo a viola caipira (um dos símbolos de nossas culturas regionais) como solista, ao lado de outra obra sinfônica inédita ou recém composta por outro compositor brasileiro ou ainda de outro país, quem sabe de caráter bem diverso;

• a USP-FILARMÔNICA tem como objetivo principal instigar a filosofia de se “ouvir ao logos” (Heráclito) e de que “só ouvimos quando somos todos ouvidos” (Heidegger). Ou seja, trata-se do restabelecimento da dignidade da arte da música em seus pressupostos técnicos e artísticos, de ferramentas e demais recursos artesanais (Handwerk, métier, know-how), da singularidade solitária da obra de arte enquanto liberdade inventiva do artista (sem se submeter às exigências padronizadas da indústria da cultura). E ainda, por fim, da exposição de um mundo pela obra musical enquanto interação existencial, já que “a obra de arte inaugura a história” (Hölderlin). Ou seja, entendendo-se aqui a obra de arte enquanto fundamento da história. Com estas referências conceituais, a USP-FILARMÔNICA pretende colaborar positivamente na construção da história da USP, na construção da história de Ribeirão Preto e região, bem como se consolidar enquanto organismo musical sinfônico a proteger tradições locais, bem como incentivar novos capítulos da arte da música no Brasil.